Lutando contra o vírus

tamanho:
Em julho deste ano, fazem 03 anos que descobri que estou com Hepatite C. Vou contar como descobri a doença.
Eu tenho síndrome do pânico há 20 anos, controlo minha ansiedade com remédios, ( claro juntamente com psiquiatra), pois se tornou crônica e há 3 anos atrás tinha dores nas pernas horríveis. Levantava da cama as dores passavam, deitava as dores voltavam, um inquietação terrível. Começei a pesquisar o que poderia ser e como já tenho quadro de ansiedade, achei que estava com a síndrome das pernas inquietas, mas antes de ligar para o meu psiquiatra achei melhor ir num clinico geral, para ver se não era uma outra coisa. Nesse dia, minhas pernas me incomodavam muito, só que era feriado em Bariri e não tinha médico disponivel para me atender. No desespero, peguei a lista telefônica e na ciadade de Bauru, consegui marcar uma reumatologista para o mesmo dia. Apesar de não conhecer a médica, foi pelo desespero mesmo, não tinha noção que havia me deparado com um anjo de Deus, que me passou vários exames, inclusive o HCV. Quando recebi os resultados dos exames, tinha dado positivo a hepatite C. Quando olhei achei esquisito, até achei que não procedia pois nunca havia feito transfusão de sangue e minha vida sempre foi muito regrada, uma surpresa e tanto, mas a médica havia me confirmado a doença. Fiquei meia ressabiada, mas não apavorada, pois não tinha noção da gravidade da doença. Ela me indicou um especialista e fui ver a tal da Hepatite C. A respeito das dores nas pernas ela também não chegou a conclusão nenhuma, poderia ser da doença como um quadro de ansiedade mais forte. Bom , voltando, a infectologista pediu a confirmação do resultado da Hepatite C, carga viral e depois de confirmado a biópsia do fígado. Minha doença estava no inicio F1 - Genótipo 1. Apesar de estar no F1, a médica achou melhor eu entrar no tratamento com Interferon peguilado e Ribavirina. Tomei o medicamento por dois meses e não negativou. Passei muito mau, tinha dores no corpo, cabeça e um cansaço absurdo. como não negativou, suspendi o tratamento e mudei de médico, pois ela queria que eu fizesse novamente o tratamento, mas com outra marca do interferon peguilado. Diante disso resolvi pedir opinião para outro especialista, onde estou fazendo o controle até hoje. Ele tem outra conduta e achou que não adiantava insistir, já que não havia negativado, só iria prolongar meu sofrimento. Fiquei muito mau, quando descobri que estava com essa doença, mas o meu médico pediu para que eu vivesse minha vida sem terrorismo, porque o importante é que havia descoberto e que a doença estava bem no começo e controlada. Faço meu controle a cada seis meses, no geral meus exames estão muito bons, só que a doença existe e fico apreensiva se isso pode ir para frente ou não. Dizem que essa doença é assintomatica, mas tenho muitas dores musculares e cansaço, o médico disse que pode ou não ser da doença. Minha família me apoia muito, pois acho que sem eles não conseguiria enfrentar o tratamento sozinha.
Hoje aprendi a conviver com a doença, não tenho vergonha de dizer que a tenho e alerto as pessoas a respeito. Não entendo porque os médicos , quando vão pedir um chek-up, não pedem os exames das hepatites A, B e C, já que é uma doença silensiosa e pode se tornar grave ao longo do tempo. Adorava tomar uma cervejinha, mas parei para não agravar a doença e estou fazendo yoga, pois se antes de descobrir-la já era ansiosa, imagina agora. Trabalho fora e não posso ficar pensando em coisas que não sei se vai acontecer ou não, tenho dois filhos na faculdade e um marido carinhoso e atencioso, enfim uma família que eu amo muito e quero viver, para poder estar sempre perto deles, por isso vou acreditar no meu médico e seguir as suas orientações sem criar pensamentos terroristas. Estou animada com o medicamento novo, mas ainda não conversei com o meu médico a respeito, o meu retorno é somente no final do ano. Deixo aqui minha experiência com a Hepatie C , espero que seja positiva para as pessoas que também tenham a doença.

Tata
Bariri - SP